O que é o sono

Perspectivas gerais
    Até cerca de 1950, pensava-se que o sono era um desperdício de tempo, era uma altura em que o cérebro “se fechava” e o corpo repousava. O Homem começou então a tentar encurtar as “horas perdidas a dormir”, de modo a aproveitá-las de um modo mais produtivo. No entanto, hoje sabe-se que o sono é uma actividade fisiológica normal, necessária e indispensável. 

    O sono é um processo de descanso periódico. É um estado comportamental reversível de desligamento temporário, que implica transformações nas respostas conscientes a mudanças externas e internas.

    É um processo activo que envolve vários e complexos mecanismos fisiológicos e comportamentais em muitos sistemas e regiões do sistema nervoso central. É um estado de vida com várias funções, estando muitas delas relacionadas com a conservação de energia.

    É o desencadear de uma alteração ou redução do estado consciente, que resulta, geralmente numa sensação de energia física, psíquica e intelectual restabelecida.

    Quando se adormece vão se perdendo sucessivamente os sentidos pela seguinte ordem: visão, paladar, olfacto, audição e tacto. E quando se acorda os sentidos voltam pela seguinte ordem: tacto, audição, visão, paladar e olfacto.

    O tacto é como que o “vígia” do corpo adormecido na medida em que é o sentido que desperta ao mais leve toque sobre a pele. Os outros sentidos necessitam de estímulos externos mais fortes para despertar o indivíduo.


Neurotransmissores
    O sono é resultado da acção de produtos químicos sinalizadores de neurónios, chamados neurotransmissores. Estes controlam a situação de vigília ou de sono, ao actuarem sobre diferentes grupos de neurónios no cérebro.

    Os neurónios do tronco cerebral  ligam-se ao cérebro e mantêm algumas partes deste activas enquanto estamos acordados, ao produzir os neurotransmissores serotonina e nor-adrenalina. Outros neurónios da base do cérebro só começam a sinalizar quando adormecemos e são responsáveis por acabar com os sinais que nos mantêm acordados.

    Um outro neurotransmissor, a adenosina, vai aumentando a sua concentração na corrente sanguínea enquanto estamos acordados, causando sonolência. A presença de concentrações elevadas de adenosina no sangue indica que devemos dormir. Quando adormecemos, a sua concentração baixa drasticamente.

    O hipotálamo tem a função de regular o relógio biológico – função realizada por intermédio de neuromoduladores que transmitem essa regulação a todas as partes do corpo. Os neuromoduladores (assim como a luz) são responsáveis pela sucessão dos ciclos sono/vigília.

    Os neurotransmissores são essenciais para o funcionamento do cérebro e vitais para a saúde em geral. A maioria das doenças neurológicas envolve uma rotura no equilíbrio entre esses neurotransmissores.

Pode-se assim definir três tipos de neurotransmissores:
  • Os excitantes, que disparam o efeito excitatório de um neurónio.
  • Os inibidores, que tendem a fazer parar os efeitos excitatórios ou a moderá-los.
  • Os neuromoduladores, que não são mensageiros directos; servem apenas para modificar a forma como os neurónios receptores respondem aos sinais que vão chegando.

    É o hipotálamo que é o centro de controlo do ciclo sono/vigília. É a sede das perturbações do sono, e é responsável pela forma de acordar e pela elaboração de sonhos e pesadelos.