Efeitos da privação do sono

   Historicamente, estudos sobre a privação do sono tiveram início em 1894 com as experiências de Manaceine, onde foi demonstrado que, cachorros e cães adultos morriam após alguns dias de privação de sono, e que essa privação causava severas lesões no sistema nervoso central desses animais.

    Em humanos, o primeiro estudo foi conduzido por Patrick e Gilbert (1896). Estes efectuaram um estudo a jovens em que foram privados de sono entre 88 a 90 horas. Podendo-se observar nesta experiência que estes jovens sofreram lesões no tempo de reacção, na habilidade motora voluntária e em processos de memorização.

Tipos de privação de sono
    A privação de sono pode ser:
  • Aguda ou transitória – ocorre quando se passa uma noite em claro por algum motivo profissional ou não. Muitos estudos em laboratório dedicam-se à privação aguda e aos seus efeitos;
  • Crónica – redução permanente e continuada do tempo de sono (por exemplo como resultado de decisões comportamentais e estilos de vida ou no trabalho por turnos mal organizado)
  • Recorrente ou periódica – são noites de redução do sono, seguidas de fases de recuperação, um exemplo são os estudantes que compensam as horas de sono ao fim-de-semana.

Consequências da privação aguda de sono
    A privação aguda de sono pode trazer alguns problemas tais como:
  • Sonolência;
  • Fadiga, cansaço;
  • Aumenta o risco de diabetes;
  • Excesso de peso e aumento do risco de obesidade;
  • Aumento do risco de hipertensão arterial;
  • Falta de atenção;
  • Aumento do risco de acidentes;
  • Dores de cabeça;
  • Insónia;
      
    A sonolência, a fadiga e a privação do sono em geral tem efeitos prejudiciais nas capacidades mentais do indivíduo e afectam a sua produtividade enquanto trabalhador.


Consequências na condução automóvel
    Estudos mostram que a sonolência, assim como o álcool, é um dos maiores causadores de acidentes nas estradas. Os erros efectuados durante a condução em privação de sono são perigosos para a segurança pessoal e segurança de todos os que circulam nas estradas.

    Mesmo estando consciente que tem sono, o condutor não pára, prosseguindo a viagem. 

    A probabilidade de se ter um acidente com consequências fatais sobre o próprio, outros passageiros ou terceiros é grande, e aumenta muito se o condutor guia habitualmente com sonolência e dormita a conduzir. (3)


Comportamentos que facilitam a privação do sono
    Existem alguns comportamentos, por vezes inconscientes, que nos privam de dormir. 
  • Jogar jogos de computador e de vídeo desperta interesse e envolvimento induzem uma maior capacidade de permanecer acordado;
  • O facto de nos manter-mos acordados até uma certa hora habitualmente, faz com que estes hábitos se tornem naturais e faz com que exista uma maior facilidade em permanecer acordado;
  • Casos de trabalho que coincidem com as horas de dormir.


Efeitos do sono na produtividade
    Normalmente, o termo “Produtividade” refere-se ao aproveitamento do trabalho humano consoante um determinado período de tempo.

    Sabe-se que a privação de sono tem graves consequências e afecta negativamente a produtividade humana. No entanto, na sociedade em que vivemos é comum o trabalho afectar o sono.

 A privação de sono:
  • Causa desorientação;
  • Diminui a percepção e as habilidades racionais cognitivas;
  • Diminui a capacidade de concentração do indíviduo;
  • Afecta a capacidade física do indivíduo e a sua força muscular;
  • Aumenta o tempo de resposta (afecta os reflexos);
  • Diminui a habilidade para movimentos delicados das mãos;
  • Afecta a memória a curto e longo prazos;
  • Afecta a tomada de decisões;
  • Causa fadiga e falta de vigor.

    No entanto, nem sempre os períodos de privação de sono são os mesmos. Se a privação de sono se der por um extenso período ou se essa privação for crónica, estas consequências manifestar-se-ão mais claramente no indivíduo. Além disso surgem outras consequências ainda mais graves, tais como:
  • Sonolência excessiva e dores de cabeça;
  • Ataques de ansiedade;
  • Alucinações e distorções de percepção;
  • Depressão e esgotamento;
  • Alterações na capacidade de produção de discurso;
  • Dificuldades em entender o discurso de outros;
  • Baixo desempenho;
  • Incapacidade de tomar decisões.

    Isto aumenta significativamente o risco de acidentes, seja dentro ou fora do trabalho e diminui significativamente o desempenho cognitivo. Isto, porque o nosso desempenho cognitivo está directamente relacionado com o número de horas de sono por dia e ao longo de vários dias, com o ritmo circadiano de cada um e com o período de tempo que o cérebro demora a consolidar a memória após o acordar.


Efeitos nas crianças e jovens
    Estudos mostram que os jovens aguentam pior a privação de sono que os adultos. No entanto, são os jovens que fazem mais noitadas e saem mais à noite. 

    Nas crianças, a falta de sono pode causar transtornos de personalidade  e está associada à falta de atenção e de memória e ainda de hiperactividade. Crianças com carência de sono têm menos criatividade verbal e apresentam mais dificuldades em pensar abstractamente. 

    Nos jovens e adolescentes, a privação de sono manifesta-se principalmente no rendimento escolar . Estudos comprovam que alunos que estudam durante o dia e têm uma boa noite de sono, têm melhores resultados que outros que estudam durante a noite. Os jovens com carência de sono são menos criativos e têm tendência a ter oscilações de humor, além de sofrerem todas as consequências de privação de sono acima referidas.